segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Bad hair day

Quem é mãe sabe disso: tem dias em que acordamos nos sentindo heroínas, tipo a última bolacha (ou biscoito, aqui no Rio) do pacote. Em outros dias, porém, nos achamos um verdadeiro fracasso - e é assim que eu ando nos últimos tempos.

São dois motivos principais:

1. Meu filho não consegue dormir sozinho porque não aprendeu. Só pega no sono no peito, me chama a noite inteira. Quem foi que o acostumou assim? Quem, quem? Eu. Fui absolutamente incompetente para educar meu filho a ter um hábito saudável de sono e agora quero consertar e nem sei por onde começar, uma vez que não tenho a capacidade de ouvi-lo chorar sem fazer nada.

2. Apesar de todo o meu cuidado, Benjamin está mega-apegado à babá. Até demais da conta. Você pode achar que estou com ciúmes (e estou mesmo, lógico), mas ele é mil vezes mais agarrado a ela do que a mim e ao pai. Chama por ela o dia todo, quando ela não está. Sonha com ela à noite, chama seu nome quando dorme. E quando ela está, se agarra em sua perna, não desgruda nem um minuto. Chora até quando ela sai para ir ao banheiro, faz um escândalo (de soluçar) quando ela vai embora, e sequer nota a nossa presença quando está brincando com ela. Hoje de manhã ela saiu um minutinho para comprar pão e ele soluçou tanto que eu quase chorei junto. Foi ao quarto dela, abraçou o travesseiro dela, e pedia pra ela voltar, aos prantos. Daí, os otimistas me dizem o seguinte: "Ela deve ser uma ótima babá, você deveria ficar feliz".

Mas não estou nem um pouco feliz. Eu trabalho em casa justamente para não deixar meu filho com os outros. Me desdobro para passear e ficar o máximo de tempo possível com ele porque acredito que minha presença seja fundamental. Só que na maior parte do dia, lógico, é ela que brinca, pois eu preciso trabalhar. E aí me acontece isso: meu filho criou um vínculo extremo com alguém que não é nem o pai, nem a mãe. Ou seja: fracassei, de novo. Fui obrigada a ouvir da própria babá a seguinte frase infeliz: "Nossa, por que será que ele está assim? A criança só fica apegada desta forma quando os pais são ausentes, mas não é o caso de vocês...". Foi como um soco na cara.

O sem-graça do Guga diz que isso aconteceu porque ela é divertida, faz brincadeiras hilárias - e eu, nem tanto (vou ter que me matricular numa escola de circo). O negócio é que eu sou mãe e tenho o dever de educar também, além de brincar, alimentar, limpar, cuidar e todos os verbos que você puder imaginar. Eu não permito coisas, imponho limites, e perco a paciência algumas vezes. Ela não. E mais: ela brinca, se joga no chão, rola na terra, faz tudo como se eles tivessem a mesma idade. Deu no que deu.

Preciso voltar pra terapia.

3 comentários:

ELISA MARCONI disse...

Mari, em 1o lugar, não conhecia esse blog. Amei já. 2o, nem vou dizer que você está totalmente inserida no clube das mães absolutamente normais. Dani não dormia e ponto até 1ano e meio! Água de côco a noite toda. Um desespero. Tudo igual a você, não sabia deixá-lo chorando. Fomos a um pediatra fodão (Leonardo Posternak) e ele pescou que, no caso do Dani, era falta de pai (culpa minha, claro). Quando o macho alfa Chico entrasse em ação, mandando dormir, a coisa funcionaria. E não é que rolou? Depoiste dou detalhes.

ELISA MARCONI disse...

E sobre a babá... RELAXA! deixa apegar, porque ajuda a trabalhar com menos culpa. Para o ciúme, namore bastante e mostre ao Ben que a mãe dele também tem outro dono e pode tripudiar, no melhor sentido, na cabeça da babá porque é no seu peito que ele mama, no seu colo que adormece e o tããããããã~mo é só procê. E fim!

Mariana disse...

Elisa, queridona, adoro quando fico sabendo de crianças que também não dormem. Me sinto mais inserida na normalidade e menos culpada...
Bom, me dá detalhes dessa história do macho alfa. O meu macho Guga me critica dizendo que tinha que deixar ele chorar (impossível, esquece). Quero só ver.