segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A escola - início do processo

Não tive boas experiências escolares. Estudei em apenas uma escola minha vida inteira, que considero uma das escolhas mais equivocadas que meus pais fizeram (quer dizer, mudei no ultimo ano do ensino médio, o que foi uma grande libertação. Pena que foi por tão pouco tempo e eu já era praticamente adulta).

Dando nome aos bois: estudei no Colégio Rio Branco, em São Paulo. Na década de 1980, ditadura militar, ora pois, era considerado um dos colégios mais rigorosos da cidade, que reunia a nata da elite paulistana. Refiro-me especialmente à classe alta de Higienópolis, aquele bairro, que, como se sabe, não gosta muito de gente diferenciada. Todo mundo que estudava lá entrava na USP - portanto, havia quem achasse que isso era excelente. Era pra isso que servia a escola, inclusive. Para que os alunos estudassem na USP, especialmente em direito, medicina ou engenharia. Era uma escola de extrema direita, que preparava os alunos para competirem no mercado, para serem melhores do que os outros, e, de preferência, delatores. Não havia preparação humanista, artística, de jeito nenhum, muito menos de cidadania. Eu era uma menina, digamos, diferente por lá. Primeiro, eu não era rica. Segundo, eu tinha a pulguinha do questionamento atrás da orelha, que me fazia ver aquele sistema todo (incluindo a maioria dos colegas) com péssimos olhos. Tudo para dizer que não guardo boas recordações do lugar em que estudei. Pelo contrário, tenho lembranças de arrepiar os cabelos de quem entende de processos educacionais, de formação do ser humano.

E daí que cresci, como era de se esperar entrei na USP, e, inconformada, por um bom tempo me dediquei a ler sobre educação. Cheguei a escrever sobre isso por um tempo, na Folha. Sempre pensei: qual seria a escola que gostaria que meu filho estudasse? Nunca cheguei a uma conclusão. Agora me vejo perto de ter que fazer esta escolha. Ai, ai, ai. No ano que vem, Benjamin completará 2 anos, idade que eu considero mais apropriada para começar a frequentar uma escolinha. Para conseguir vaga, entretanto, preciso resolver isso agora, com mais de um ano de antecedência - já começou o absurdo.

Comecei minha apuração conversando com pessoas que considero bem informadas aqui no Rio e com as mães locais. Veja meu diálogo de ontem com a mãe de um amiguinho de Ben, e me diga se não é pra começar a chorar desde já:

- "Queria que você me contasse um pouco sobre a escola do João. Você gosta? Por que? Qual o método que eles usam? E as atividades?"

- "Ah, acho uma boa escola. Esse negócio de método eu não sei, só sei que o João gosta. O unico problema de lá é que tem férias. E escola boa é aquela que não para nunca."

5 comentários:

Liege Albuquerque disse...

não sei se essa mãe tem babá, mari, mas até q concordo com ela, sabia? afinal, eu não sou juíza p ter 60 dias de férias.... me fez falta a creche, q funcionava em julho(q cacau ficou de 1até 2 anos) pq esse ano ela tá em escola, q teve as férias em julho, e foi bem complicado ficar o dia inteiro com ela em casa trabalhando (minhas férias são em janeiro). pq ela fica em escolinha meio período p eu poder adiantar meu trabalho (daí rebolo qdo tenho alguma entrevista q tenho de ir à tarde, já carreguei ela p a maioria). cmo v tem a babá em casa, fica mais fácil, já q ela tá com ele o dia todo enquanto v trabalha. mas v vai ficar com a babá e botar ele na escola tb?
menina, o post do apego a babá? se fosse comigo, eu já tinha me mordido toda de ciúme....
p.s. deve ser complicado morar em sp ou rio onde há uma penca de boas escolas a escolher, né? por aqui não é assim e confesso q fui ´mariavaicomasoutras´e confiei no bom senso dos meus irmãos e coloquei a cacau na escola de todos os primos (do meu lado). é uma escola rígida, com bons resultados no enem, mas....não tem tanta ênfase no lúdico como a escolinha anterior dela. leu a época dessa semana? tá interessante a capa, sobre essa escolha difícil da escola. até agora a catarina tá gostando, mas até hj fala no melhor amigo, o pedro, da ´escola amarela´, como ela chama....(q tb mudou p outra escola)

Mariana Sgarioni disse...

Pois é, mas eu esqueci de contar no post que esta mãe do João tem, sim, babá. Aliás, eu passei muito tempo sem saber quem ela era - só conhecia a babá, que, inclusive, é quem responde os avisos das professoras no caderno do menino...(já vi ela fazendo isso e achei o fim da picada).
Olha, não há tantas boas escolas por aqui, viu... Pra dizer a verdade, há poucas. Hoje fui visitar a unica escola de pedagogia Waldorf do Rio de Janeiro (acredite se quiser, só existe uma aqui!!!). A fila para entrar é quilométrica.
No seu caso, acho super legal a Cacau estudar na mesma escola dos primos, assim fica todo mundo junto, todos com as mesmas referências e tal. Aqui, não temos família perto, então dificulta um pouco...

Liege Albuquerque disse...

waldorf é tudo. aqui não tem nenhumazinha, nem baseadinha....

Mariana disse...

Mas precisa ser tão caro??? Mensalidade: mil reais. Meio período. Socorro, né.

Liege Albuquerque disse...

a da cacau tb o mesmo, meio período. aí tem o balé por fora, e ela tá querendo violino (igual a dois primos)... e é daí p mais e mais e mais e mais...preciso de uma megasena he h ehe