Eu queria entender por que, nós, mães, perdemos a paciência com nossos filhos. Estou dizendo no plural porque não acredito que exista uma santa mãezinha neste mundo que nunca tenha subido nas tamancas e dado um basta em alto e bom som.
Minha família sempre gostou de levantar a voz. Eram lendárias as vezes em que minha mãe nos chamava para almoçar pela janela enquanto brincávamos no play do prédio (morávamos no décimo quarto andar, então imagine a potência do berro). Ou as vezes que ela mandava meu irmão tomar banho i-me-di-a-ta-men-te (estas eram brigas boas). Ou quando ela me perguntava por que diabos eu queria justo esse tênis pííííínk (essa letra i aguda até hoje ecoa no meu ouvido).
Mas, poxa, isso não é legal. Ninguém precisa gritar para se posicionar. E eu tenho perdido a compostura com Benjamin com uma certa frequência. Procuro me controlar, claro, pois não quero que ele tenha uma mãe louca. Muito menos que ele acredite que a gente resolve tudo no berro. Mas outro dia me enervei demais quando ele se jogava no chão porque não queria cortar a unha. Gritei de maneira agressiva para impostar minha autoridade. Ontem gritei de novo na hora do banho, quando ele teve outro ataque de rebeldia, socando minha cara porque não queria lavar o bumbum. Dois episódios em tão pouco tempo.
O que eu queria saber é por que saímos do sério desta maneira com as crianças. Eu não grito com ninguém, não levanto a voz de jeito nenhum - até mesmo em situações bem mais sérias do que lavar ou não a retaguarda. Por que então eu fico assim justo com a pessoa que mais amo nesta vida? É como se eu chegasse a um ponto em que perco o controle da situação. Depois fica uma dor no peito, um arrependimento por ter assustado aquele menino tão lindo que agora, depois da bronca, mais parece um anjinho. Mas que minutos atrás era o próprio capeta.
Como se faz, hein? Conversa, tá. Mas como conversar com um bebê de 1 ano e 4 meses dando ataque de birra? O que vocês fazem? Tomam um Lexotan? Meditam? Arrancam os cabelos? Lixam as unhas?
Aceito contribuições (em espécie) para a minha volta à análise.
6 comentários:
ai, Mari, antes de tudo, nao se sinta culpada por perder a compostura de vez em quando. afinal de contas, somos humanas e nossos filhos tem que entender que tambem temos nossos momentos.
conheco bem essa fase que vc esta passando e o melhor a fazer na hora do chilique (deles) eh ignorar. se vc sentir que vai perder a cabeca, saia de perto. fale pra ele: "a mamae nao gosta quando vc se comporta assim. vou me acalmar e ja volto pra gente tentar de novo." apesar de a capacidade verbal dele ainda ser limitada, ele ja entende MUITO bem o que tira vc do serio e o que da ibope. alem disso, ele ja esta naquela fase de querer ter mais autonomia, de fazer as coisas sozinho, etc. peca pra ele te ajudar, delegue algumas tarefas simples a ele e vc vai ver como eles se sentem importantes. prima, chegou a hora de vc ler aquele livro chamado "Disciplina Positiva". tenho lido MUITO a respeito e acho esse approach bem bacana e acho que tem sua cara tambem. e lembre-se que estou aqui sempre pra trocar figurinha, ta? beijo enorme e paz no coracao...
Mari, o livro "Disciplina POsitiva" eh da autora Jane Nelsen e esta disponivel no Brasil. Seu metodo se baseia na teoria de Adler e foca no uso de delicadeza e firmeza para estimular o auto-respeito, a autodisciplina, a cooperação, o bom comportamento e a capacidade de resolver os problemas da vida.
Realmente sensacional! espero que vc goste tanto quanto eu...
Má, adorei, vou procurar este livro que vc falou. O Guga diz que eu estou montando uma biblioteca aqui em casa...heheh. Estou lendo Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra, da Laura Gutman, conhece? Muito bom.
Pois é, ele sabe direitinho o que fazer para chamar minha atenção (em geral, nestes casos, ele olha pra mim e coloca algo proibido na boca, de propósito, dando risada. Tipo: "Olha só o que eu vou engolir se você não me der atenção...").
Quando ele está chiliquento sem motivo, eu viro as costas e pronto, o ataque passa.
O problema é quando ele não quer fazer determinada coisa e firma sua posição (tipo lavar o bumbum, por exemplo, ou cortar as unhas, ou ir embora do parquinho, etc). Daí eu preciso mostrar a ele que nem sempre fazemos o que queremos, na hora em que queremos. E mostrar isso a um bebê cheio de vontades e instintos não é tarefa fácil. Vou ler este livro correndo...rsrs.
mari, eu tb grito, confesso. mas eu já tenho o tom de voz alto, diferente do seu he he he
mas qdo eu grito é mesmo com as birras q estão frequentes, sabia? fiquei pensando no piiiiiiiink da sua mãe e não quero ser lembrada assim...mas é q se eu deixar a catarina sai todo dia com uma roupa preferida, um sapato preferido Q ELA ESCOLHE! meusdeusdocéu, eu sei q a roupa é p ela e até deixo de vez em qdo, mas tem dias q pelamordedeus q combinação é aquela??? dou uns gritos tb na guerra q ela faz ás vezes p não arrumar os brinquedos, qdo ela sai da mesa pela enésima vez p pegar um brinquedo enquanto almoça....ai, sou uma gritalhona com cacau, fiapo e chica, os danados da casa...quem nunca ouviu um grito meu foi o finado lado e minha fefê q é um anjo de gata.....agora, sua amiga marina é o máximo conseguindo ter sangue frio p falar p filho (a?) ´a mamae não gosto qdo v se comporta assim´. antes de eu pensar em ´a mamãe´ já gritei. o romulo nunca grita, mas poxa, eu passo mais tp com ela. não, não estou tentando justificar, até queria parar com os gritos pq às vezes até assusto a bichinha (de ela chorar), aí eu me sinto muito culpada. mas na maioria das vezes ela para a birra com o grito e sem chorar....coisa difícil essa....mas, enfim, eu queria mesmo parar de gritar....
nunca vou esquecer qdo começaram as birras (ela fazia só um pouquinho, faz até hj, p cortar unha, igual ao ben he hehe) qdo viajei sozinha com ela p praia no início do ano...toda vez eu PUXAVA p voltar p hotel e ela fazia um escãndalo q me fazia morrer de vergonha...p sair do parquinho ela não faz mais pq eu digo ´se fizer, não voltamos amanhã, mesmo´. digo sem gritar e ela acredita naquele olho no olho, mas só consigo falar isso pq não estou irritada. se estivesse, era no grito he he he SE V DESCOBRIR A FÓRMULA DE COMO NÃO GRITAR, ME CONTA!!
Liege, querida, so voc mesmo pra me fazer rir... (estou sem acento no computador, sorry).
To aqui morrendo de dar risada imaginando as cenas... heheheh. Olha, so mesmo quem e mae consegue entender esses gritos. E eu sou de familia italiana, a gritaria esta no DNA. Tenho tentado me controlar, quando vou dar um berro, saio de perto. Mas tem dia que o cansaço me faz perder o tom. Quero melhorar, tenho este objetivo na vida. Mas e bom saber que nao estou sozinha...rsrs.
beijo, querida
Mari querida,
é difícil, mas tem que contar até 10, respirar fundo e pensar no exemplo que queremos dar. Estou em plena campanha do silêncio. Militante do coxixo. PEço a todos e todas (Edu, Letícia e Carol) que não gritem. Chegem perto para pedirem o que querem. Falem baixo. Vou dar bronca no pé do ouvido. E se ficar chorando alto, dá licença, mas não tô a fim de ouvir não. Aí o rabinho vem atrás com a sirene ligada, né, e eu fujo. Volta e meia acaba em gargalhada, mas nem sempre termina bem. Quando estou de TPM saio de cena mesmo, peço ajuda, ao Edu, a Deus, a mim mesma, porque parece que o sangue ferve. E vem o anjinho dizer aquilo que vc disse: eis aí as pessoinhas que vc mais ama no mundo. Seja gentil, ensine-as a ser gentil. É uma campanha, permanente, eterna. Eu já me senti péssima tb por ter sido "um ser humano horrível", como diria Rapunzel...bjs Bebel
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