domingo, 27 de novembro de 2011

A pressa do mundo

Eu queria entender um pouco por que as pessoas tem tanta pressa com relação ao crescimento dos filhos.

Tipo assim:

- Aos 4 meses de idade, muitas vezes até antes, já tem mãe por aí enfiando mamadeira com suquinho e dando papinha para os pobres bebês. Nesta idade, eles ainda são lactentes, e, como o nome diz, deveriam estar só no peito (nem água deveriam tomar).

- Se a mãe não trabalha fora e há outras alternativas para a criança ficar no ambiente doméstico, precisa enfiar logo um bebê pequeno numa escola? "Ah, mas ele não é tããão pequeno! Já tem 1 ano! Ele precisa conviver com outras crianças, se não vai ficar mimado e com problemas de socialização". Uma criança de 1 ano é pequena, sim. E ainda não tem necessidade nenhuma de conviver com outras similares, uma vez que, nesta idade ela ainda não tem a capacidade de reconhecer o outro (só enxerga a si mesma). Quem tem filhos pequenos sabe que quando coloca muitos bebês para brincarem juntos, cada um fica no seu quadrado, sem perceber os demais. "Ah, mas ele desenvolveu tanto quando entrou na escola!". Pois é, ele foi obrigado a crescer rápido, portanto desenvolveu mesmo. Se estivesse em casa, talvez demorasse um pouco mais para falar, andar, brincar, saltar, falar inglês, francês ou alemão. Na escola, precisou fazer tudo isso logo e assim, deixou uma parte de seu desenvolvimento pessoal para trás.
Há casos em que as mães precisam colocar na escola porque não há outro jeito. É verdade. Mas a maioria coloca porque "afinal, já está na hora". Enquanto isso, especialistas em educação recomendam a entrada na escola só lá pelos 2 anos e meio, imagine, quase na fase adulta.

- Precisa levar um bebê de dois meses para ver o Papai Noel no shopping center? Não dá para entender que ele precisa só de colo e um canto quietinho, pois ainda é um recém-nascido e não faz ideia de quem seja o bom velhinho? O mesmo vale para crianças adultas com menos de 1 ano, 1 ano e meio.

- Não sou mãe de menina, mas o bom senso me chama. Precisa pintar as unhas de crianças de três anos? E fazer luzes nos cabelos de meninas de nove? "Ah, mas elas adoram". Sei. São elas ou as mães que adoram?

Tenho a impressão de que está tudo muito depressa. Os pais esquecem que as crianças terão o resto da vida para ir à escola. Para pintar as unhas. Para curtir o Papai Noel. Para tomar sopa, comer comida. Mas o tempo de ser criança, ou melhor, de ser um bebê, não vai voltar mais.

2 comentários:

Lívia Lisbôa disse...

é isso aí, Mari... Daí, a gente cresce e a pressa continua: é sempre preciso passar para a próxima etapa: "já está na hora do vestibular? Já tirou carteira de motorista? Já viajou pra fora do país? Já casou? O bebê já está vindo? E o segundo? Já é avó?" E perdemos a chance de brincar e ir experimentando, aos poucos, a ideia de mudar de fase, de passar pra outra etapa... Eu tenho uma foto de criança que eu gosto muito, que sou eu pintando as unhas, na casa da minha avó. Mas eu me lembro que era esmalte de mentira, bem diluído, quase água pura. Criança quer imitar, quer brincar. Não precisava ser, necessariamente, de verdade, né? E pintar o cabelo de papel celofane? Lavou, saiu! É uma fantasia! Precisa fazer mecha no cabelo, com 9 anos? Enfim, me parece tudo uma tentativa de não estar no lugar em que estamos, no momento presente...

Mariana disse...

Menina, eu também adorava brincar de "ser adulto"! Era tão legal. Lembro que vivia roubando os colares que minha tia deixava, estrategicamente, num lugar de fácil alcance para mim. E vivia pegando as maquiagens da minha mãe, sem contar os sapatos e bolsas. Era tudo brincadeira de criança! Tipo fazer comidinha. Benjamin vive calçando os meus sapatos e os do Guga, uma fofura. O que eu percebo hoje é diferente da brincadeira. É que realmente as mães tentam pular etapas - talvez porque não tenham paciência, sei lá. Outro dia tinha uma mulher com um bebê de seis meses no parquinho, colocando a menina no escorrega - que fazia cara de apavorada, com medo da altura.