sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Um guri que cresce


Benjamin, meu filho querido,

Faz tempo que não te escrevo uma cartinha. Escrevo tanto para os outros e não escrevo para você. Veja que injustiça.

Na verdade, tenho tentado aproveitar o máximo que eu posso ao seu lado - e longe do computador. Porque a sua evolução tem sido tão fascinante que não consigo perder nem um minutinho.

Você agora está com 1 ano e 8 meses. Fala tudo, entende tudo, é articulado, inteligente, tem um fino senso de humor. Sabe cores, formas, desenha super bem (outro dia você desenhou um rosto), canta e saracoteia. É capaz de ficar horas conversando comigo, de um jeito só nosso - e eu posso afirmar com todas as letras que você é a minha melhor companhia.

Ontem, pela primeira vez, você interagiu com outra criança. Você brincou com um menino maior, conversou com ele, correu, trocou brinquedos, e ideias. Isso nunca tinha acontecido antes, o que me leva a crer que você está saindo da sua fase de bebê e entrando na fase de criança. Tanto que já nem me chama mais de mamãe. Agora é assim: "Mããããe!!".

Tudo isso me fez respirar fundo, e entender que precisamos subir um degrau na vida. Enfim, relutante, fui lá e matriculei você na escola. Apesar de não ser muito simpática à ideia de crianças pequenas na escola, achei que, dado o seu desenvolvimento extraordinário, chegamos no momento de você bater as asas, meu passarinho. Conhecer o mundo fora do ninho.

As aulas começam só daqui a dois meses, mas meu coração já está apertado. Como vai ser a casa sem você? Como vou deixar meu filhote lá, virar as costas, e ir embora? O que vai acontecer com você longe dos meus olhos? É, filho, são sofrimentos de mãe. É só o início de uma vida em que você estará cada dia mais longe de nós. Outro dia eu e seu pai quase desatamos a chorar ao imaginar a cena hipotética (e bem provável que aconteça no futuro) de você partindo para uma temporada no exterior. A gente ficou pensando no momento da partida, no aeroporto. Tivemos que mudar de assunto rapidinho, pois já estávamos com lágrimas nos olhos.

Meu principal desafio, querido, é me preparar para entender que a sua vida é a sua vida. E não a minha. Você tem os seus caminhos, suas escolhas, seus desejos. Faço este exercício desde já, ao me segurar para não te forçar a fazer tudo o que quero, na hora que quero (lógico que em alguns momentos a democracia precisa acabar, caso contrário você viveria com a fralda cheia de cocô e sem comer). Juro que estou me esforçando, querido. Espero conseguir. Você me ajuda?

Beijos, com todo meu amor,

Mamãe.

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