Eu sempre fui contra essa história de inventar codinomes para as partes íntimas do corpo. Primeiro porque é patético. "Filho, esta aqui é a borboletinha da mamãe". Eu não tenho borboletinha, nunca tive. Por que vou inventar um nome desses para meu filho? Segundo porque acredito que é na linguagem que o preconceito começa. Os órgãos genitais são um baita tabu desnecessário. Tanto que muita gente tem dificuldade de pronunciar até para o médico alguns nomes como vagina, pênis, clitoris.
Acontece que também fica igualmente ridículo (ou melhor, estranho) falar estes nomes literais para uma criança tão pequena. Imagine a cena digna de um filme de Woody Allen:
"Benjamin, venha aqui, vamos lavar sua nádega direita. Abaixe para lavar bem o ânus e retirar os restos fecais que podem estar no seu saco escrotal."
Contrariando minhas teorias, o Guga disse a ele, certo dia, que era preciso lavar bem o "furico" depois de fazer cocô. Acho esta alcunha bem engraçada, e de certa forma resolve bem a questão anal, digamos assim. Tanto que Ben grita e denuncia: "fuíííco!!" toda vez que escuta alguém usando o chuveirinho do banheiro.
Outro dia ele deu um baita puxão no pinto (posso chamar o pênis assim?) do pai, que reagiu tranquilo, com uma naturalidade desconcertante - queria entender por que os homens são mais bem resolvidos neste assunto.
E daí que chegou a minha vez. Como se chama aquilo da mamãe? Respondi, sem pensar muito:
"Xoxota, filho. Esta é uma xoxota".
Pronto, mudei de assunto, estava respondido. O Guga achou a palavra meio chula, não gostou. Mas também não me deu nenhuma outra solução. Ficou por isso mesmo.
Contudo, a memória do meu filho é de elefante. Hoje ele apontou para a dita cuja da empregada e disse, feliz da vida: "Sôssóóóta!!!"
Ficamos todos meio sem graça, e ela fingiu que não entendeu.
"O que foi Benjamin?"
Ele apontou, com didatismo:
"Sô-ssó-ta. Aqui."
Já estou imaginando que vai fazer o mesmo na feira, na padaria, no caixa do banco.
E vocês, mães, como resolveram esta questão?
7 comentários:
HAHAHAHAHAHAHA
meu bem, tem jeito não. A gente sempre paga esse mico. Eu falei vagina. Letícia me olhou meio enviesada, aí, contrariando também minha religião, eu completei "mas vc pode chamar de pepeca'. Carol, esperta que só, logo sacou.
"A pepeca da mamãe, a pepeca da Letícia, o pepeca do papai".
Mari,
Não compartilho da tua opinião contra os apelidos. A dita cuja da minha pequena já tem vários codinomes - periquita é o mais publicável... Acho que eles também podem fazer a vida muito mais divertida. O que seria do ânus se ele não pudesse de vez em quando ser chamado de fuííím?
Debi, pois é. Eu deixei o post meio incompleto nesta questão. Embora eu continue achando os apelidos meio patéticos, por outro lado, você tem razão: eles fazem a vida dos pequenos mais divertida. E não dá pra ser tão politicamente correto, né. Chatice.
O apelido do dito cujo de Ben, por exemplo, é... Minduím. Isso mesmo. Min-du-ím. Quero deixar claro que eu não tenho nada a ver com isso, a mente criativa é do pai.
pepeca, sosota, fuím, minduim é tudo tão bonitinho....
eu adoro apelido, sempre gostei. na minha casa todos temos, o meu é leca ou lequitinha: minha mãe só me chama de liege qdo tá com raiva he he he . eu chamo mais minha mãe pelo apelido q nós 4 (eu e irmãos) demos a ela do q de mãe, a nossa dinha....
e eu tô repetindo com catarina, q chamo mais de cacau (q os amigos da creche deram e eu acho fofo) e qdo vou chamar a atenção é catarina, ou melhor, catarinaaaaaaaaaaaaaaaaaaa ;-)
agora, para as partes pudendas, te conto por e-mail como as albuquerques chamam as coisas de baixo há quatro gerações!!!!!
bjs
Ah, não, Leca! Conta aqui, que eu quero ter opções pra quando tiver os meus filhos...hehehe!!!
Hehehehhe... Liege, eu também adoro apelidos - de gente. Para as partes do corpo continuo achando meio esquisito. Mas meu filho tem um minduím.
Bebel, aproveita porque na sua casa as pepecas estão em maioria.
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