Agora vejam este diálogo com a avó de um amiguinho do Benjamin.
- "Quando o Lucas nasceu, minha filha estava traumatizada. No primeiro filho, ela ficou com os peitos horrorosos, inchados, cheios de leite. A amamentação doía e, pior, não saía leite direito, o menino ficou magrinho, magrinho. Então, com o Lucas, ela fez diferente: na maternidade, pediu para tomar aquela injeção, sabe, aquela que seca o leite. Secou tudo, os peitos ficaram ótimos, lindos. O Lucas já saiu tomando mamadeira e engordou que foi uma beleza!"
Bom, eu não vou falar o que respondi, simplesmente porque não disse nada. Abaixei a cabeça, com pesar, e saí de perto, absorvida pelos meus sentimentos de tristeza, indignação, revolta, sei lá mais o que.
Para começo de conversa: peitos horrorosos? Um peito cheio de leite nunca é horroroso, me desculpe. Ele está cheio de vida, de alimento, de saúde. Está pronto para cumprir sua função - a gente pode até usar nossos sagrados seios também como objeto de atração sexual, mas convenhamos que a natureza os fez justamente para nutrir a cria. Aliás, dizem alguns biólogos, que é por isso mesmo que eles são atraentes para os homens. Nunca me achei feia porque meus peitos pareciam duas bolas de capotão ao sair da maternidade. Fiquei feliz, aliviada, pois poderia alimentar meu filho sem problemas, coisa que faço até hoje. Minha baranguice atual é por falta de exercício, outra coisa, nada a ver com meus peitos.
E daí ela tomou uma injeção para secar? Isso me parece experiência de campo de concentração. Quantas mulheres querem ter leite e não conseguem? Esforçam-se ao máximo, dedicam-se, e o leite não sai? E aí tem umas fulanas que vão lá e tomam injeção nazista para secar de propósito?
Depois veio a alegria: o menino engordou! Lógico que engordou, ele foi alimentado. Inadequadamente, mas foi. O que não significa que tenha engordado com saúde. Aliás, obesidade e saúde estão longe de serem sinônimos. Somos mamíferos humanos: bezerros mamam na vaca; cabritinhos, na cabra; cavalinhos, na égua. Bebês, na mulher (e não na lata). Simples assim.
Não quero falar mal das fórmulas infantis, de jeito nenhum. Elas são santos alimentos inventados pelo homem para salvar vidas de crianças que por alguma razão não podem ser amamentadas. Há muitos bebês que só tomaram mamadeira e que hoje são saudáveis. Minha mãe, por exemplo, adoeceu profundamente 15 dias depois do meu nascimento. Foi internada às pressas, em estado gravíssimo. Tinha jeito de me amamentar? Não, lógico. Portanto, só estou aqui graças às fórmulas infantis e mamadeiras da minha avó. Mas vamos combinar que este tipo de caso é exceção da exceção.
Li este texto aqui outro dia e fiquei ainda mais triste. Desdenham-se na televisão mulheres que amamentam como se fossem seres que não tem mais nada para fazer. Desculpa, mas alguma coisa está muito fora da ordem.
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