Antes de engravidar e ter filhos, a gente tem um discurso baseado em informações que colhemos aqui e acolá. Os livros não mentem, né? "Nunca farei isso com meu filho, jamais farei aquilo".
Sei, sei. Quero ver como fica o blábláblá todo depois que você estiver com a mão na massa, sozinha, descabelada, sem comer, suando em bicas, com um bebê esperneando debaixo de um braço, e um livro de ideias malucas debaixo de outro - que são lindas na teoria, mas que definitivamente não funcionam com seu filho naquele momento.
Como tenho algumas amigas grávidas que andam me bombardeando de perguntas, aqui vai uma dica preciosa:
Não caia na besteira que eu caí de cismar de fazer tudo sozinha. Aceite a ideia de que você vai, sim, precisar de ajuda e isso vai fazer toda a diferença na sua sanidade mental, acredite. Não se trata de entregar seu filho nas mãos de outra pessoa, como muito se faz hoje em dia - coisa que eu abomino totalmente. Trata-se apenas de contar com alguém em período integral para te dar uma força mesmo - seja para fazer sua comida, dar um auxílio na hora do banho do bebê (isso é dificílimo, sério), lavar as roupinhas dele, segurá-lo no colo quando você estiver desmaiando de cansaço, ficar de olho nele para você tirar uma sonequinha (não é frescura, você vai precisar deste sono para fabricar leite).
Ter alguém para te ajudar não é vergonha nenhuma, não é coisa de dondoca da Barra da Tijuca, muito menos sinônimo da sua incompetência como mãe. É necessidade. Uma amiga antropóloga bem bicho-grilo me lembrou que as mulheres de todas as sociedades, sem exceção, incluindo as indígenas e africanas, contam com ajuda para olhar seus bebês. Que o ser humano é um animal tribal. E que ninguém fica sozinha nesta hora.
De modos que, minha cara, pense em contratar alguém enquanto estiver grávida para ir criando vínculo com a pessoa. Pode ser babá, enfermeira, empregada doméstica - vai da escolha do freguês. O importante é entender de recéns-nascidos. Se você tiver ajuda de sua mãe ou familiares, ótimo. Mas antes de contar com isso, certifique-se que estas pessoas terão mesmo a disponibilidade, o tempo, o saco e a competência que você vai precisar. Isso é dificílimo, ainda mais levando em conta que todo mundo tem sua vida para tocar.
Lembre-se que sua mãe pode não ter estes atributos (pense na filha da Dilma Rousseff, que acabou de parir. Você acha mesmo que ela pode contar com a mãe dela??). Muitas mães (avós, no caso) não sabem lidar direito com recéns-nascidos ou porque não se lembram mais, ou porque não cuidaram dos filhos pessoalmente. Coisa que é super comum entre as nossas mães, geração da contra-cultura, da libertação feminina, das mulheres no mercado de trabalho, e blábláblá. Portanto, esteja preparada para contratar alguém que te salve do sufoco.
Esta aqui que vos escreve, que tinha um discurso totalmente faça-você-mesmo, hoje conta com o auxílio de nada menos do que duas pessoas: uma para a casa e outra exclusivamente para Benjamin. É lógico que eu fico de olho o dia inteiro, uma vez que trabalho de casa (tenho uma dificuldade danda em delegar). Bom, mas posso dizer que me sinto muito mais calma e descansada - para brincar, dançar, pular, com meu Ben amado.
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