Ben, meu filho querido,
Hoje queria te falar um pouco sobre um dos piores sentimentos que existem aqui fora da barriga: a raiva.
Tá certo, eu podia te falar de outros lindos, como o amor, a paz, o alívio, a compaixão, a felicidade. Todos estes são incríveis, meu anjo, e eu espero sinceramente que você os sinta a todo momento.
Só que a vida da gente é feita também de algum sofrimento. E a raiva, filho, é algo que nos leva a muita, mas muita dor. Quando a raiva não é controlada, ela resulta em violência, que é o limite da selvageria.
Faz alguns anos, o monge budista cambojano Maha Ghosananda disse que “Quando a contaminação da raiva realmente se fortalece, perde-se a noção do bem e do mal, certo e errado, de esposos, esposas e filhos. Pode-se até mesmo beber sangue humano.” Que horror, né? Ele se referia à longa guerra civil que havia destroçado seu país e matado quase todas as pessoas que ele conhecia.
Mas, filho, o principal veneno da raiva é que ela fere a própria pessoa que a sente. Alguém enraivecido está sofrendo, agitado, tenso, contraído, inquieto. Todo o bom senso desaparece.
No budismo, religião que a mamãe segue, aprendemos a controlar a raiva. Mas, sabe, meu anjo, te confesso que ainda não assimilei totalmente esta lição. Sinto muita raiva às vezes, que droga. Porque há coisas que me tiram do sério (os atendentes da NET, por exemplo). Hoje, senti uma raiva insuportável ao perceber que estavam me fazendo de boba (e nem era a NET). Você deve ter percebido aí dentro da barriga, por favor, me perdoe, querido. É que seu berço veio com defeito e demoraram infinitas três semanas para resolver, só me enrolando e mentindo para mim.
Ao discutir com a danada da loja mentirosa, fiz ameaças terríveis e até tremi de raiva. Depois, respirei fundo e pensei: será que daqui a 5 anos vou me lembrar disto? Provavelmente não. Ou seja: sofri à toa, por algo que ficou no passado.
Ghosananda, aquele monge que te falei acima, disse: “Nós sempre lembramos ao rei para estar no presente. Ele sempre pensa no futuro, ele sempre lamenta o passado, e assim sofre. Se ele permanecer no momento presente, ele será feliz. A vida existe no momento presente. Inspirando, momento presente. Expirando, momento presente. Não podemos respirar no passado,” ele disse. “Não podemos respirar no futuro. Só podemos respirar aqui e agora.”
Filho, se a gente conseguir estar sempre no momento presente, a raiva desaparecerá. Pense nisso.
Um beijo do tamanho do meu amor por ti,
Mamãe
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
3 comentários:
ai, mari, pare já com essas raivinhas! isso não te pertence!!! e embora não seja a mulé mais zen do mundo, tive uma gravidez bem feliz e tranquila, com alegrias, cuidados, comidinha regrada, engordando pouco (mas só agora, 2 anos depois, é q estou no pesinho antes da gravidez...mas não sou a gisele bundchen, a angélica...). enfim....nem era p falar de corpitcho, mas sim do ensaio sobre a raiva....a cat veio de 37 semanas (mas não ficou em incubadora, nasceu linda e saudável...só não rolou o parto normal q eu sonhava...).
de novo estou fazendo um monte de link. ô: a cat veio de 37 semanas pq além da terrível morte de meu lalo, meu gatinho preto lindo q v conheceu (dia 10 de janeiro ele morreu, crise renal, em exatos deiz dias de sofrimento)...eu tive uma crise de raiva e uma de tristeza no mesmo dia, a sexta-feira antes da segunda, 25 de fevereiro de 2008, qdo minha princesinha nasceu. na manhâ de sexta a raiva suprema de terem a cara cura de me dizer q tinham PERDIDO o resultado de meu exame de urina no laboratório onde eu fiz todos os exames no pré-natal. pode? já viu alguém perder o xixi de alguém?? pois perderam o meu e tive uma crise de raiva (sei lá pq, mas até exagerei, acho q foram os hormônios. e na noite de sexta fui entrevistar um monte de gente q tinha acabado de ser resgatado de um naufrágio. fazia tp q não chorava na frente de entrevistados, mas a gente fica bem mais emotiva grávida, v sabe. e ouvindo aquelas histórias terríveis (gente q tinha perdido a mãe, ou filhos!) p fazer a matéria de ´clima´ desabei. lembro q foram buscar água com açúcar p mim, tentaram me acalmar e até chamaram o taxista q tava me esperando lá fora p me ajudar com o barrigão. e cheguei em casa e morri de chorar escrevendo....e foi a última antes do parto pq minha bolsa rompeu exatamente dentro de um táxi, segunda de manhã, qdo eu tava indo p uma entrevista!!!!!
enfim, fique o mais zen possível no fim da gravidez. como felizmente v não tem de cobrir coisas tristes como eu de vez em qdo, poupe-se, viu? mil bjs p v, ben, guga e romeo
ah, e eu quero primeiro ver a cara do benzinho p mandar um presentinho....mas me manda logo teu endereço novo p meu e-mail??? bjs
Liege, minha linda amiga,
Eu imagino a dor que deve ter sido perder seu gatinho amigo justo no fim da gravidez, quando estamos tão vulneráveis...
Essas raivinhas são terríveis descompensações mesmo, você tem razão. O bom é saber que elas não nos pertencem e mandá-las embora imediatamente...
Estou morrendo de saudade de você.
Beijo gigante, gigante
Postar um comentário