quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Arrumações

Filhinho,

Estou achando absolutamente inacreditável o poder de transformação que você tem sobre mim. Não estou me referindo às transformações físicas - estas são aparentes e inevitáveis.

São as de comportamento.

Hoje me descobri, veja você, do alto dos meus 36 anos, uma incrível arrumadora de gavetas. Ou melhor: das suas gavetas, bem entendido.

O engraçado é que eu sempre fui meio desorganizada, sobretudo no que diz respeito às minhas próprias coisas. Aliás, nem sei porque estou te contando isso, e espero de coração que você não use esta informação futuramente contra mim quando eu implorar para que você arrume seu quarto.

Meu armário sempre foi uma bagunça e minhas roupas amontoadas sempre foram motivo de briga entre mim e seus avós. Ouvi certa vez que alguém que não consegue arrumar a própria gaveta jamais saberá organizar a própria vida - portanto eu estaria fadada a nunca conseguir um emprego, por exemplo.

Depois de adulta, aprendi exatamente o contrário com um dos mais importantes empresários da comunicação no Brasil, que, pasme, elogiou minha bagunça, afirmando que jamais contrataria alguém que tem a gaveta arrumadíssima, pois as pessoas criativas como eu deveriam ser sempre caóticas. A definição caiu como uma luva para o meu perfil, bem distante de uma Maria-Organizilda.

Enfim, meu amor, contrariando a mim mesma, eis que me peguei hoje me divertindo arrumando as suas gavetas!! Senti um prazer inacreditável ao dobrar suas coisinhas, deixar tudo bem direitinho, esticado, engomado, cheiroso. Sofri um pouco, é verdade, com a logística do início, pois não sabia o quê deveria ir aonde (falta de prática é fogo!). Mas isso eu aprendo aos poucos.

Uma coisa te prometo: esperar tua chegada com as gavetas arrumadas - e muita criatividade, dentro do meu infinito caos particular.

Beijo enorme, lindo,

Mamãe

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