Você sabia que recém-nascido sente dor? Não adianta torcer o nariz, fazer pouco caso, e responder que sim. A pergunta não é tão óbvia e cada dia que passa percebo que a maioria esmagadora dos adultos não tem esta noção.
Pois veja esta. Existe uma prática rotineira nos hospitais brasileiros em que renomados médicos pingam gotas de colírio à base de nitrato de prata nos pequenos com menos de um minuto de vida. Você sabia disto? Pois deveria saber, principalmente se tem filhos ou pretende ter. Estas gotas ardem feito fogo, sobretudo em olhinhos que estavam fechados e nunca viram a luz do dia.
E você sabe pra quê diabos serve o tal colírio? Para evitar que os olhos dos bebês, ao passarem pelo canal vaginal, sejam infectados por gonorréia, correndo o risco de ficarem cegos. GO-NOR-RÉIA? Como assim? Eu nunca tive gonorréia! E nunca conheci nenhuma mulher que frequentasse o ginecologista e tenha contraído gonorréia sem saber (ou sem se tratar). Muito menos uma grávida que tenha feito seus exames pré-natal. Então pra quê o colírio? Procedimento de rotina, meu caro. O que vale para um, vale para todos - assim funciona a saúde pública. O mais estúpido ainda é que pingam o colírio em bebês nascidos de cesárea, que sequer passaram pelo canal vaginal. Onde está a gonorréia neste caso? "Ah, pinga lá e não se fala mais disso. Os recém-nascidos nem vão lembrar disso depois..."
A mesma coisa é furar a orelhinha das meninas no hospital - a minha, por exemplo, foi furada assim. "Fura logo, assim já sai de brinquinho, feito uma bonequinha, ela nem vai sentir. Depois de grande, vai doer pra furar..." Não é assim que se diz?
Ai, meu santo! Gente, a orelha é a mesma e a sensibilidade também! Se dói pra furar no adulto, dói também no bebezinho. A diferença é que ele não fala e não pode se defender. E este caso envolve algo ainda mais sério, que são as preferências da criança: será que ela vai querer usar brinco, vai achar isso bonito? Será que ela vai gostar desta cicatriz provocada? Furo não é um laço de fita, que você tira e pronto. É uma marca, que fica. Afinal de contas: a orelha é de quem mesmo? Se você acha brinco bonito, fure a sua orelha. Não seria melhor esperar a criança crescer e perguntar o que ela acha sobre um buraco em seu próprio corpo?
Hoje me sugeriram fazer a circuncisão de Benjamin logo nos primeiros dias de vida, até porque "é mais higiênico e se ele tiver que fazer mais tarde, vai doer demais". Para quem não sabe, trata-se daquela cirurgia em que cortam a pele do pênis. Minha resposta foi curta e grossa (ando cada dia mais grossa, aliás): "Eu não vou submeter meu filho a um sofrimento sem necessidade - até porque ele sente dor. Ele só fará se for por questões de saúde, no dia em que precisar. E se precisar. Estamos entendidos?"
Anda difícil sair da Matrix, viu. A impressão que eu tenho é que os pais e profissionais de saúde se preocupam tanto com a educação das crianças, com o futuro e a segurança de nossos filhos, mas acabam se esquecendo de uma palavrinha muito simples, que já deveria ser usada desde o primeiro segundo do nascimento: RESPEITO. Quem não respeita o próprio filho recém-nascido, será que conhece o respeito à vida, ao próximo? Não sei.
Mariana.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
3 comentários:
Sabe o que é isso? Raivinha. Mamãe tá cada dia mais mal criada. Mas ela é tão bonita!
O pai
é isso aí, mari. nda de colírio. eu e rômulo pensamos exatamente o mesmo sobre o colírio sem sentido e sobre orelhas furadas em maternidade. catarina vai decidir se acha isso legal, se acha bonito (e já tem um monte de brinquinho de ouro de presente guardado; as pessoas insistem como se fosse ´natural´ o tal brinco ´pq é menina´). eu decidi furar a orelha com 12 anos (doeu muito), minhas irmãs aos 8. mamãe sabia das coisas...bjs
Isso mesmo, minha amiga! Vamos sair já desta Matrix estúpida. Ao questionarmos esses padrões, muita gente vai parar pra pensar.
Ah, sim: e a Catarina é uma boneca mesmo sem brinco na orelha!
Beijo enorme, enorme
Postar um comentário