Ando me sentindo cada dia mais hippie.
Francamente, não consigo entender certas necessidades modernas para a vida de um bebê. Para começo de conversa, não entendo esta nova configuração de família que se apresenta em todo bom shopping center de domingo: papai, mamãe, bebê no carrinho (nunca no colo), e uma babá.
Antes eu pensava que isso era só mania de quem frequenta shopping compulsivamente. Agora reparei que não. A babá virou parte integrante da família. Está junto sempre: em restaurantes, parquinhos, festas íntimas, viagens de férias e até na praia. Outro dia presenciei a cena insólita de uma família no Leblon com um bebê fofo na praia. Todos se divertindo muito. Ao lado deles, quase numa situação de senzala, ficava uma senhora (vestida de branco dos pés à cabeça no meio da areia e de um sol escaldante). Quando o bebê chorava, ela pegava. Se fizesse cocô, ela trocava. Alguém pode me dizer por que diabos a mãe dele não podia fazer isso??? Dói tanto assim cuidar do seu filho? Precisa ter uma escrava uniformizada à sua sombra, para limpar aquilo que você se nega a enxergar?
E a intimidade da família, onde fica? E a cumplicidade, o vínculo que se cria solitariamente entre pais e filhos, que passam, inevitavelmente por limpar vômitos e cocô?? Que me perdoem as mães modernas, mas eu quero (e vou) limpar muito cocô do meu filho.
Outra cena, take 2: como já disse aqui abaixo, passei por um procedimento no hospital. Mais precisamente na maternidade, onde diversas barrigudinhas aguardavam na sala de espera. Prepare-se para o freak-show que assisti lá:
Aberração 1: a maioria estava com a cesárea agendada havia um bom tempo.
Aberração 2: todas pareciam estar num saguão de um hotel, onde foram oferecidos serviços de manicure e maquiagem. Afinal, precisavam ficar lindas na foto na hora do parto.
Aberração 3: chegou uma senhorita me perguntando se eu era uma tal de Tatiana. Expliquei que não. Adiante, ela encontrou a dita Tatiana e se apresentou:
- Muito prazer, sou da equipe de filmagem. Vou filmar todo o parto do seu filho.
Isso tudo me entristece profundamente. Me sinto meio alienígena neste mundo maluco. A vinda de uma criança se tornou um espetáculo de circo. Alguém ali pensa no bem estar desta criança? Que ela, ao nascer, não precisa de babás de branco, mamães maquiadas, e pessoas estranhas com uma câmera na mão: ela só quer seu peito, seu amor, bem aconchegadinha. Ela quer o lugar mais seguro do mundo, só isso.
Aviso desde já: quando Benjamin chegar eu vou dar muito trabalho no hospital (eu estava querendo parir em casa, mas o Guga vetou). Aguardem, pois a mamãe hippie-selvagem vai botar esse circo todo para correr. Ô, se vai.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
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7 comentários:
Minha mulher é perfeita.
Fala para seu querido esposo ler nascer sorrindo. Duvido que ele vai querer a batelada de procedimentos com o bebë? dedo o anus, colirio, inje;áo de vitamina k, NAN etc. Sabe pq pari em casa, pq a gente at[e consegue negociar episio, caminhar, comer durante o TP. Mas os procedimentos do RN nenhum hospital negocia. E no rio tem a hel[isa e Dr Rodrigo. Eu iria parir s[o com a heloisa, no aconchego do meu lar... rs
Kalu, eu já apurei que não farão nada disso com meu filho na maternidade. Perguntei coisa por coisa...rs. Também não permitirei que tirem ele nem um minuto do meu peito. Eu vou dar banho, vou fazer tudo. Eles torceram o nariz, mas não quero saber.
Meu médico é um super humanista e o pediatra da equipe também. Por isso, resolvi ceder e ter o bebê por lá mesmo...
Mariana, ta certissima. Eu nunca achei que fosse ter um filho na Inglaterra, mas apesar de alguns sustos e perrengues, foi a melhor coisa que eu fiz.
Eu fico chocada com tudo isso quando vou ao Brasil: babas, a cesariana agendada, cabelo e manicure, entao, putaqueopariu!!
Fui preparada para a hipotese da cesarea, mas rolou o parto normal e foi otimo.
O avanco do parto foi classico: 1 cm por hora. E mais umas 3 para empurrar. Mas minha familia e ate minha gineco no Brasil ficaram horrizadas, dizendo que o parto foi longuissimo, que eu sofri, que eh medieval, bla bla bla.
Nao foi nada disso e ainda foi de graca.
Leia bastante sobre parto, exija seu "skin-to-skin" imediatamente com o bebe. Proiba milhoes de pessoas na hora do parto. Va soh com o seu marido e pronto. Enfim, posso passar horas aqui escrevendo sobre isso...
Malu, eu posso passar horas em trabalho de parto, sem grilos.
Quer saber do que eu tenho medo? De cesárea. Dos pontos, da cirurgia, do corte na minha barriga, ai meu Deus. E da manicure, claro.
O resto não me amedronta.
Pois é Mari, poucas pensam como nós. Também não consigo entender essa mania de certos pais em querer mandar em tudo, até mesmo o dia e a hora para o bebê vir ao mundo! E ainda tem pior, já ouvi mães dizendo que não amamentam para o peito não cair!! É o fim dos tempos!! Coisa de doido! O que eu quero mesmo um dia é poder sentir todas as dores do parto e sorrir feliz por ver meu filhote saudável! Tô contigo e não abro. Um beijo da cunhada.
Ju, eu aconselho este tipo de mulher a comprar uma boneca, em vez de engravidar. Daí o peito não cai mesmo, não dói, não precisa acordar de noite... Tem uns modelos por aí que são iguaizinhos a bebês de verdade...rs :-)
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