A vida de Benjamin não é algo previsível, muito menos linear. Tudo nesta sua vidinha são fases temporárias.
Existe a fase em que ele come bem; outra em que come mais ou menos, outra que não come nada. Tem a fase em que dorme a noite inteira (rara, mas tem), outra em que dorme agitado, outra em que dorme pessimamente mal.
Pois agora, neste exato momento, atravessamos a fase em que tudo vai mal: não quer comer, não quer dormir, passa o dia reclamando. Acorda 20 vezes à noite, não consegue pegar no sono, fica se debatendo na cama. Demoramos mais de uma hora para colocá-lo para dormir, uma tortura. Nesta noite, por exemplo ficou acordado das 2h da manhã até quase 4h. E depois voltou a acordar às 4h50, desta vez direto, sem escala.
Nós desconfiamos que sejam os dentes nascendo, pelo excesso de coceira e babação, além de pontos brancos pipocando em toda a sua gengiva. Tadinho. Fico me colocando no lugar dele: imagine você estar com dor ou incômodos terríveis e não conseguir se comunicar, pedir um remédio, ou ajuda? E, pra piorar, ter alguém te balançando a noite inteira, implorando para você dormir?
Por outro lado, preciso confessar que esta fase-trevas exige um baita esforço dos pais, sobretudo desta mãe aqui. Não dormir mais do que três horas por noite acaba com a gente, os nervos ficam em frangalhos - justamente eles, os mesmos nervos, que tinham que estar inteirinhos para ajudar, pacientemente, o filhote a atravessar este momento difícil.
Até porque, depois de uma noite em claro, o dia começa. Trabalhos não esperam, os prazos continuam os mesmos, a vida corre lá fora. E a gente precisa se habituar a tocar o barco assim mesmo. Seria ótimo poder dizer ao chefe: "Olha, hoje não vou entregar a matéria porque o dente incisivo do meu filho está nascendo." "Sabe aquele texto pra ontem? Pois é, hoje não estou com cabeça, pois meu filho não dormiu e eu também não". "Impossível escrever a pauta nos próximos dois dias. Preciso descansar".
Este chefe um dia vai existir, tenho fé. Enquanto isso, espero essa fase passar.
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