quinta-feira, 27 de maio de 2010

Eu preciso aprender a ser só

Benjamin, meu filho,

Hoje você completa dois meses de vida. Escrevo esta cartinha enquanto você dorme ao meu lado um sono profundo, gostoso. E eu te contemplo, com o coração enternecido, pensando no quanto você é o amor materializado e em tudo que eu queria te dizer agora.

Sabe, querido, você já deve ter percebido que ser mãe é uma realidade muito nova para mim - assim como ser filho para você. Ainda estou processando na minha mente como isso funciona. Já o coração, bem, esse já entendeu tudo direitinho desde que você ainda morava dentro da minha barriga.

O que eu sinto agora, filho, é muito mais do que aquela série de obviedades que todo mundo diz - e que fazem todo o sentido, começando pelo amor incondicional.

Eu sinto que daqui por diante, para sempre, até o dia da minha morte, eu nunca mais serei uma pessoa só. Agora tenho uma extensão de mim mesma: você.

Explico. Antes de você nascer, eu já vivia neste mundinho esquisito fazia tempo. E sempre fui responsável apenas por mim mesma. Eu era uma pessoa. Agora sou duas. Daqui por diante, meu anjo, você estará comigo (ainda que em pensamento) para sempre. O que quer que aconteça, onde quer que você esteja, para sempre estarei pensando em ti - se você comeu, se dormiu bem, se está com frio, com calor, se espirrou, se engasgou (ops, como agora, por exemplo), se está com saúde.

Fique tranquilo, pois isso não quer dizer que vou passar a vida correndo atrás de você feito uma mãe maluca. De jeito nenhum. Inclusive estou me policiando, desde já, para que você tenha a sua vidinha. Nesta semana, por exemplo, segui os conselhos do seu pai e deixei você no seu quarto sozinho - até então eu estava dormindo embaixo do seu berço, feito um cão de guarda. Devagarzinho, filho, vou te soltando, juro.

Por enquanto, confesso que estou adorando este período de agarramento contigo. Seu pai também. Aliás, uma das cenas mais lindas que assisti na vida aconteceu nesta semana, quando você dormiu no colo do seu pai, olhando nos olhos dele, e ele olhando nos seus. Filho, precisei me segurar para não chorar de emoção - nunca vi amor tão profundo de um pelo outro. O amor sem palavras. Foi seu pai, querido, a primeira pessoa que te segurou na vida, assim que você saiu da minha barriga - e você sabe disso, pode sentir. Ele te aqueceu, te carregou para ser pesado, deu o dedinho dele para você chupar e se confortar, te abrigou, te protegeu. Não por acaso, você não chorou nem um minutinho sequer. Este vínculo com seu pai, que começou minutos depois do seu nascimento, está evidente no olhar de vocês.

Tem um ditado maia que diz o seguinte: "No bebê está o futuro do mundo. A mãe precisa abraçá-lo forte, para que ele saiba que o mundo é dele. O pai precisa levá-lo até o monte mais alto, para que ele veja como é o seu mundo".

Do alto do nosso monte, meu filho, sinta-se abraçado. Agora e sempre.

Um beijo, com todo o meu amor,

Mamãe.

Um comentário:

Juia disse...

Parabéns meu sobrinho querido! Meu doce! Vou te ver em junho. Beijo da tia que lhe ama muito.