Deitados, nós dois, na cama dele. Luz apagada, eu de olhos fechados, pensando que ele já dormia. Silêncio.
- "Mãe"
- "Que foi, filho?"
- "Você faz uma festa pra mim?"
- "Faço. No seu aniversário. Agora dorme."
- "Mas eu quero uma festa agora. Para eu ficar pequeno de novo"
- "Filho, a gente comemora o aniversário quando a gente cresce. A gente não fica pequeno de novo. Vamos dormir, sim?"
- "Mas eu quero ser pequeno. Como é que eu faço pra entrar na sua barriga de novo?"
- "Algumas coisas não tem jeito de voltar, filho. Quando a gente resolve sair da barriga da mamãe é porque lá dentro estava muito apertado. O mundo aqui fora é maior, tem mais espaço. Tem luz e é colorido. Por isso você resolveu sair. Para crescer cada vez mais."
- "Não quero ser grande"
- "Mas ser pequeno é tão sem graça, filho. Só fica no colo. Não brinca, não joga bola, não corre. Agora feche os olhos e vamos dormir."
- "É legal ser pequeno, mamãe. Só os bebês mamam. E eu quero ser pequeno para mamar de novo".
(a conversa acabou aqui, com um abraço bem apertado. sem palavras)
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