quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Como ensinar a dizer adeus?

Uma das pessoas que Benjamin mais ama na vida foi embora. Para nunca mais voltar. E eu vou ter que explicar a um bebê com menos de dois anos de idade que ele perdeu um grande amor para sempre. Suas desilusões amorosas começaram cedo, meu filho, infelizmente.

Explico: Ana, a babá que estava conosco desde que ele tinha 6 meses de idade, pegou seu boné e foi embora. Tivemos um desentendimento e ela se pirulitou. Na visão dela, minha casa e meu filho eram apenas seu trabalho. Simples assim, sem grandes envolvimentos amorosos. Como eu encaro uma matéria qualquer, ela encarava meu filho. A diferença é que ele é um serzinho humano.

Nem vou entrar no julgamento de certo e errado sobre a postura dela. Até porque meu sentimento por ela neste momento é o pior possível. O negócio é que Benjamin acabou de chegar neste mundão e ainda não entende muito bem algumas sutis diferenças de relacionamento - confesso que eu já estou aqui há mais tempo e muitas vezes também não entendo. A Ana era alguém que ele amava, e ama. Para ele, fazia parte da sua estrutura familiar, assim como a mãe, o pai e o gatinho. E então um dia, sem mais nem menos, a Ana desaparece.

Como vou explicar o que houve? Como dizer que muita gente entra na nossa vida, mas poucas são aquelas que ficam? Como dizer que podemos amar demais alguém sem sermos correspondidos? Como dizer que tem gente que vai para nunca mais voltar?

Misteriosamente, é ele quem não toca no assunto, nem no nome dela. Ele não a viu indo embora, mas percebe que ela não apareceu mais. Entretanto, não faz perguntas. É um fato curioso, pois todo santo dia de manhã cedo ele saía correndo do berço em direção à cozinha para encontrá-la. Chegava a pular de alegria quando a via. Quando a Ana estava por perto, não tinha pai, nem mãe, nem santo nenhum que o tirasse dela, tamanho o amor. Pois ele não a chama mais. Não fala nada. Nem eu. Ontem, encontrou uma blusa dela e se limitou a olhar para mim, com os olhos baixos, e dizer: "Búsa da Aninha. Minha Aninha".

Eu também baixei os olhos. Sei que ele estava sentindo uma das piores dores do mundo, a dor da perda.

"Vai passar, filho".

Só consegui dizer isso.

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