sábado, 17 de abril de 2010

Eu e você

Benjamin, meu filho querido,


Hoje você completa 21 dias e esta é a primeira carta que te escrevo depois do seu nascimento.

Nossos primeiros momentos juntos, quer dizer, com você fora da minha barriga, têm sido intensos. Estamos aprendendo uma série de coisas e sofrendo um bocado.

Você sofre com as dores e incômodos do início de uma vida. E eu sofro por te ver sofrer e nada conseguir fazer para te ajudar.

Eu me lembro de minha avó Clara, sua bisa, que já faleceu. Todas as vezes que a gente sofria com dor ou com as doenças da infância, ela dizia que se pudesse tirava toda esta nossa dor e transferia para ela. Agora entendo direitinho o que ela queria dizer - se eu pudesse também faria o mesmo contigo. No ápice do nosso sofrimento, ela dizia para deitarmos em sua barriga (ela tinha um baita barrigão, era bem gorduchinha, diferente desta sua mãe aqui), que ela chamava de "colchão de molas". Cansei de dormir nessa barriga gostosa, que me dava tanto alento.

No seu caso, filho, fico achando que meu colchão é meio duro demais, pois nem sempre você acha o conforto necessário nele. Precisamos descobrir, juntos, qual o lugar do meu corpo que você encontra seu abrigo.

O que posso te dizer é que estou totalmente entregue a você, para que faça o que quiser de mim. Senti isso quando te vi pela primeira vez, lá na maternidade, ainda todo roxinho depois do nosso cansativo parto (aliás, um adendo: sua performance foi digna de aplausos. Filho, você nasceu protegido por São Jorge, nunca vi um guerreiro tão bravo. Foi forte, lutou para nascer, e continua com uma fome danada de vida. Assistir a você mamar com tanta gana é uma das coisas mais lindas de se ver. Um filhote de leão, este meu menino).

Vamos crescer juntos, filho. E aprender com este crescimento. Está doendo, sim, mas crescer dói (até dente, quando cresce, dói. Você vai ver). A parte boa é que passa, pode acreditar. O que importa é que estou contigo, e sempre estarei.

Obrigada pela paciência comigo, meu amor. Muitos beijos e cheirinhos,

Com todo o amor que existe nessa vida,

da sempre Sua Mãe







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