Este é o título de um livro lindo, do médico francês Leboyer, que alertou ao mundo algo meio óbvio, mas que 90% das pessoas até hoje não entenderam: o recém-nascido sente dor, medo, angústia, paz. Tal qual um ser humano qualquer. Ou melhor: tal qual um ser vivo qualquer.
Assim como animais não são brinquedos de pelúcia, que podem ser manuseados e maltratados (sobretudo por crianças, ouviram papais e mamães?), os recéns-nascidos não são bonecas de plástico fofinhas. Por isso, é preciso muito cuidado e respeito com seu nascimento.
O parto, evidentemente, deve ser o mais natural possível - uma intervenção cirúrgica, que é uma agressão, somente em casos de extrema necessidade. Uma vez que o bebê está lá dentro da barriga, quentinho, apertadinho e no escuro, ao sair, o ambiente e o trato devem ser preparados para não deixá-lo em pânico.
Sim, meu amigo: o choro que em geral ouvimos do recém-nascido ao sair da barriga da mãe, é de pânico. Não tem graça, não é fofo, muito menos sinônimo de saúde e vitalidade.
Luzes fortes em seus olhos, ar condicionado gelado, gente falando alto, médicos puxando-o pelos pés. Menos de um minuto depois, tubos enfiados em seu nariz, colírios que fazem seus olhos arderem como fogo, injeções doloridas, panos frios machucando sua pele sensível, uma balança gelada de alumínio. Tudo isso enquanto ele está assustado com esta nova realidade, e o que ele queria era apenas o peito da mãe, seu calor, seu cheirinho. Mas cadê a mãe? Pobre coitada, está deitada numa maca sendo costurada, e o pequeno está longe dela "fazendo os procedimentos necessários". (para quem não sabe: não são nada necessários...).
Foi assim que eu nasci e provavelmente você também. Sem contar na maioria dos bebês que conhecemos, infelizmente.
Mas não será assim que Benjamin nascerá.
A escolha da equipe obstétrica que acompanhará o parto de Ben foi feita a dedo. Todos têm formação daquilo que chamamos de "parto humanizado" (esse nome já diz tudo: por que algo tão específico, uma vez que, em tese, todo parto deveria ser obviamente humanizado?? Pois é...).
Antes de achar que eu e Guga somos hippies ou naturebas em excesso, procure pensar no recém-nascido e em seu sofrimento. Ele não precisa passar por isso, ninguém precisa começar a vida desta forma. Cabe a nós, pais adultos e alfabetizados, corrermos atrás de informações confiáveis em vez de aceitar o que "sempre-foi-feito-na-nossa-família-e-nunca-matou-ninguém". Posso apostar que você pesquisa todos os prós e contras sobre uma nova proposta de emprego ou sobre um roteiro de viagem dos seus sonhos. Por que não se informar direito sobre o nascimento de seu filho?
Em breve, divulgarei aqui nosso plano de parto e o que pretendemos fazer - é lógico, isso se não houver nenhum contratempo. Este plano significa o início de vida que acreditamos que nosso filho mereça.
"O recém-nascido é como um espelho. Reflete sua imagem. Depende de você não fazê-lo chorar" - Frédérick Leboyer.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
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Um comentário:
Lembra que você passava Mercúrio Cromo nas feridas? Você vai passar no seu filho? Não??? Ué! Você não está vivinho da silva?
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